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Suicídio em Goiás cresce 20%. O Estado registrou 3,5 ocorrências por dia durante o mês de agosto

Para especialista, isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19 é um fator que contribui para que os mais propensos tenham pensamentos suicida

07/09/2020 17h49 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação Fonte: 2M Comunicação
Suicídio em Goiás cresce 20%. O Estado registrou 3,5 ocorrências por dia durante o mês de agosto

 

Um levantamento feito pela plataforma digital ComunicaQueMuda (CQM) durante 29 dias do mês de maio deste ano contabilizou 103.923 menções relacionadas ao suicídio. Dentro deste número, registrou aumento no número de depoimentos e relatos sobre o tema. De 6,3% em 2017, as menções do assunto passaram para 23,5% em 2020.  Segundo informações da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), são registrados aproximadamente 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais tratáveis como a depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que podem se intensificar durante a fase de isolamento social.

No mesmo mês, em Goiás, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado (CBMGO) atendeu 83 ocorrências de suicídio consumado em todo o estado. Quase três chamados deste tipo por dia. Dados do CBMGO mostram que durante o ano de 2020 a corporação recebeu 701 chamados de suicídio. Só no período de pandemia, entre março e agosto deste ano, foram 515 ocorrências desta natureza. Em agosto deste ano, até o dia 30, 105 pessoas tiraram a própria vida, o que significa 3,5 mortes por dia. Índice 20% maior que o registrado no mesmo mês de 2019, quando a o corpo de bombeiros atendeu 87 chamados de suicídio. 

Porém há ainda as subnotificações que são de tentativas de extermínio que não obtiveram sucesso. De acordo com os bombeiros, esses casos geralmente não são reportados às unidades de atendimento. Para a psicóloga Thais Brenner, a pandemia pode sim ter sido um dos motivos de grande parte dos casos, uma vez que o período exigiu das pessoas adaptação repentina às novas rotinas e ao isolamento social.

“Uma pessoa que tem pensamento suicida precisa de atenção, necessita ser ouvida em caso de um pedido de socorro implícito em pequenas falas que passam a se tornar habituais. Esse afastamento facilita a retração do indivíduo e dificulta a comunicação e a atenção dos familiares para que haja essa prevenção”, explica.

 A profissional alerta que o estado de pandemia vivenciado em todo o país não é a principal causa desses pensamentos, mas acaba sendo o principal gatilho devido às adversidades a serem enfrentadas no período. “Nessa fase muita gente passa por um estado de luto, que é um rompimento inesperado de algo na vida. Às vezes perder o emprego, ter algum familiar acometido pela doença que, por ventura, possa ter falecido por Covid-19, o próprio isolamento social e a expectativa do retorno à vida habitual. A situação pegou muita gente de surpresa e o despreparo para enfrentar essas situações pode ascender esse tipo de pensamento”, diz.

O que leva uma pessoa ao autoextermínio?

Segundo a psicóloga, todos precisam estar alertas aos gatilhos emocionais tanto pessoais, quanto das pessoas que fazem parte da sua convivência. Não são apenas pessoas depressivas que podem ser levadas a cometerem o suicídio. “O pensamento suicida aparece a partir do momento em que se atravessa um momento difícil de ser resolvido, onde a pessoa não encontra mais alternativas e sente uma imensa necessidade de sanar aquela dor, de largar aquele problema. Na visão do paciente o ‘desaparecer’ acaba sendo o caminho mais fácil para lidar com o problema, levando a pessoa a usar o restinho das forças para praticar o autoextermínio”, conta.

Por isso o assunto deve ser tratado com maior seriedade. Segundo Thais Brenner, não existe um padrão para identificar quem está ou não com pensamentos suicidas. É muito comum que a pessoa mude o comportamento, outras vão começar a se despedir de parentes e amigos próximos verbalizando afirmações ou expressões e deixando o seu pedido de socorro de forma implícita na forma de falar.

 “Por isso é preciso ficar atento. Se tiver alguém próximo que comece a verbalizar a vontade de sumir, a vontade de se matar ou até mesmo idealizar como seria o mundo se ela morresse ofereça ajuda ou ajude aquela pessoa a procurar um profissional. Mas para ter o efeito esperado é muito importante estar de coração aberto para ouvir o outro sem julgamentos e preconceitos. Temos sim que falar sobre isso para que o outro não se retraia no pedido de ajuda”, alerta a psicóloga.

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