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Lifestyle Ansiedade

Respeite Sua Ansiedade

Ela pode ser benéfica antes de se tornar tão ruim

28/08/2020 13h55 Atualizada há 2 meses
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Por: Fonte: Guipa Assessoria Digital
 Alessandra Costa Barbosa Psicóloga Clínica Especialista (Psicodrama e EMDR) CRP 09/10513
Alessandra Costa Barbosa Psicóloga Clínica Especialista (Psicodrama e EMDR) CRP 09/10513

          Muito se tem falado em ansiedade, ainda mais em tempos de pandemia. Comer demais, dormir de menos, não se exercitar, não conseguir ler um livro, irritação, baixo desempenho  no trabalho, tudo culpa da maldita ansiedade. Mas afinal, é algo tão ruim assim quanto dizem? Quem nunca sentiu um frio na barriga ao viajar para um lugar desconhecido? Ou ficou um pouco trêmulo ao tocar um instrumento ou cantar para alguém? Ou ainda sentiu as mãos suarem frio ao falar em púbico? Todas essas ações do nosso corpo (frio na barriga, tremor, sudorese) são processos de adaptação à algo novo, portanto, totalmente bem-vindas.
          Ansiedade é um estado emocional de apreensão que, quando aplicada a uma situação real, nos prepara para lutar ou fugir. Imagine que você está andando por uma rua deserta e escura, a ansiedade será a responsável para te deixar mais alerta e, em caso de perigo, levá-lo a se defender ou a sair correndo. Em outros momentos é ela que nos impulsiona e contribui com o aumento de nossos esforços e rendimento. Certa vez, atendi um atleta de ponta que me disse adorar a ansiedade, pois graças a ela nadava muito melhor e sempre conseguia excelentes pontuações nas competições. Já outro atleta que atendi relatou ser a ansiedade responsável por seu mal desempenho. Antes das provas permanecia em estado ansiogênico tão alto que a nem conseguia competir em algumas provas. Mas o que faz a ansiedade ser considerada normal, até benéfica em algumas situações e tão ruim em outras?
    Há três fatores a considerar ao fazer uma distinção entre ansiedade normal e anormal. O primeiro trata-se do nível da ansiedade, se é apropriado para a ocasião ou se ultrapassa os parâmetros de normalidade. O segundo se relaciona com a justificativa. Há um motivo realista que justifique a ansiedade? E por último, se as consequências são negativas como por exemplo se abster da realização de algo, apresentar mau desempenho ou desencadear sintomas físicos (hipertensão arterial, vômitos, desmaios, outros).
        Com a pandemia, é natural que nosso organismo acione esse estado de alerta, afinal, existe a iminência da morte nos rondando e incertezas reais quanto ao futuro. É algo novo, não sabemos ao certo como lidar. Nesse contexto a ansiedade surge para nos proteger, preparar e adaptar nosso corpo/mente para lidar com esse “novo”. 
         Se observe, perceba e respeite sua ansiedade, trata-se de um processo adaptativo do ser humano a novas situações, porém observe intensidade e consequências. Evite dar susto em si mesmo projetando cenários irracionais ou catastróficos, quando a ansiedade passa a se relacionar com o irracional, deixa de ser “mocinha” para se transformar em “vilã”. Se atente ao nível, ao motivo (real ou imaginário) e as consequências. Se for o caso, não deixe de buscar ajuda profissional, a ansiedade patológica deve ser tratada. Já a ansiedade normal ou adaptativa deve ser vista como algo naturalmente saudável.

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