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Reflexões de janela

Ainda fechando o verão, ela volta.

07/04/2021 18h16 Atualizada há 6 dias
Por: Victoria Mendes
Reflexões de janela

Começou a chover de novo. Eu sempre me sinto melhor quando está chovendo.

 

Não sei muito bem de onde vem essa relação, eu e a água que cai do céu. Talvez por estar sempre chovendo nos meus aniversários, ou porque minhas melhores memórias sempre têm um cheiro de terra molhada. Não sei dizer, não sei explicar. Mas nós nos damos muito bem, eu e ela.

 

A maioria das pessoas sente vontade de se recolher quando a chuva vem, se abrigar, se proteger. Eu tenho vontade de viver. Viver, mesmo, no tempo verbal infinitivo. Tenho vontade de sair pelo mundo, de sentir coisas, de criar. Tenho vontade de vestir um par de galochas e procurar alguma aventura por aí. Vai entender.

 

Há um certo conforto em pensar que algo tão ameaçador pode ser ao mesmo tempo inspirador e belo, me faz pensar um pouco sobre a minha história até aqui. Acho que a gente se parece nesse sentido.

 

Eu gosto do gradiente cinza no céu, e dos tons azulados na calçada, cintilando. Eu gosto de como tudo parece mais vivo depois da chuva, contrariando as nossas noções de sobrevivência. A grama, as flores, as árvores - tão frágeis mas tão vitoriosas depois dela.

 

A chuva me conecta com o passado, me faz apreciar o presente, rega o meu futuro. A chuva me lembra que as coisas mais bonitas na vida são também as mais simplórias: café quente, lençóis limpos, beijos no nariz. A chuva me desafia, me incentiva, consola a minha melancolia. 

 

Me faz lembrar o porquê de tudo isso. Me faz ser mais aquilo que eu queria ser.

 

Me faz mais eu.

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