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Somos todas filhas de Eva

A nova série do globoplay

03/04/2021 12h30 Atualizada há 2 semanas
Por: Leticia Ribeiro
Somos todas filhas de Eva

 

O que a esposa e a amante de um mesmo homem têm em comum além da paixão pela mesma pessoa? Não é o ódio uma pela outra, mas sim o fardo e as maravilhas de ser mulher. Esse é o foco de um dos mais novos lançamentos da Globoplay, Filhas de Eva. O próprio nome já carrega muitas simbologias.

A série de 12 episódios, com aproximadamente 50 minutos de duração por episódio, acompanha a história de 4 protagonistas em uma trajetória cheia de dificuldades, o que faz sentido se levarmos em conta que as mulheres são  "filhas de Eva". Relembrando a narrativa bíblica, Eva teria incentivado Adão a comer do fruto proibido e provocou a expulsão dos dois do Jardim do Éden, um verdadeiro paraíso.

Três das protagonistas são do mesmo núcleo familiar. Stella, interpretada por Renata Sorrah, é mãe, avó e esposa, porém é errado resumi-la a esses papéis. Ela abriu mão de uma vida aventureira e muitas amizades para se dedicar a um casamento de 50 anos com um advogado bem sucedido. Ao perceber tudo o que abandonou, resolveu pedir divórcio em plena festa de aniversário de casamento.

Lívia, interpretada por Giovana Antonelli, foi uma das primeiras a criticar a mãe, Stella. Apesar de ser psicóloga, julgou a mãe usando um dos adjetivos mais usados para criticar mulheres que fazem algo fora do esperado: surtada. A dificuldade dela em aceitar o divórcio dos pais ocorre principalmente porque ela teve o casamento deles como modelo, enquanto o dela própria afundava. Nessa recusa de aceitação surge um dos diálogos mais sensatos da narrativa, no qual Stella, mesmo reconhecendo-se como modelo para Lívia, afirma que o erro da filha é prender-se a modelos.

Dora, filha de Lívia, interpretada por Débora Ozório, observa os problemas do lar pela perspectiva de uma jovem militante feminista. Por isso, ela discute muitas vezes com a mãe sobre a submissão em relação ao pai e defende o posicionamento da avó. Enquanto isso, ela lida com as expectativas que os adultos e que a própria militância feminista tem em relação a ela. E como o feminismo não significa ódio aos homens, a série acompanha o desenrolar de um romance envolvendo Dora e a tentativa de aproximação dela com o pai.

Um dos motivos do afastamento do pai de Dora, interpretado por Dan Stulbach, é seu envolvimento com a atraente Cléo, interpretada por Vanessa Giácomo. A personagem entra nesse triângulo sem saber que se relaciona com um homem casado e quando descobre sobre o casamento, descobre também que a esposa era uma de suas mais recentes e queridas amigas. A jovem enfrenta então o dilema entre a paixão e a amizade somado à dificuldade do desemprego, de cuidar de uma mãe idosa e um irmão quase sempre ausente do lar para atividades criminosas.

O ponto alto dessa série é a sororidade, uma palavra muito necessária de ser conhecida, como tema central. Não é sobre mulheres competindo pelo mesmo homem, pelo mesmo cargo, para serem reconhecidas como "a mais bonita" ou pela posição de "dona da razão". É sobre mulheres reconhecendo umas nas outras as mesmas dificuldades, as mesmas capacidades e as mesmas motivações, apesar de terem problemas diferentes. 

Termino, com outra fala de destaque da série. Lívia comentou com Cléo que quando duas mulheres viajam juntas, as pessoas ao redor dizem que são duas mulheres viajando sozinhas. Por essa razão, te convido a viajar junto com essas mulheres incríveis e que são tão representativas do universo feminino. Malas prontas? 

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