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Brasil e Mundo infância

Existe infância na sociedade contemporânea?

A criança na vitrine: haverá infância no futuro?

02/01/2021 23h35
Por: Jéssica Souza Fonte: https://t.me/portuguesperspicaz
Existe infância na sociedade contemporânea?

Origem da palavra "infância": latim infantia, referente ao indivíduo que não é capaz de falar.

Nós presenciamos, na atualidade, uma constante busca pelo direito de fala, especialmente por grupos minoritários, como mulheres, indígenas, negros. Assim, compreendemos o alcance simbólico do ato de falar, que remete à possibilidade de expressão, de participação social e de responsabilização pelos atos.

O historiador Neil Postman (1999) explica que, na Idade Média, a infância terminava aos sete anos, isso porque, nessa idade, os infantes já podiam dizer e compreender o que os adultos, por sua vez, diziam e compreendiam. Isso foi transformado com a expansão da cultura escrita, que passou a registrar os segredos da vida adulta. 

Dessa forma, criou-se a necessidade de proteção da infância, que, hoje, toma forma em diferentes marcos legais. Neles, predominam-se critérios etários para a definição da infância:

Segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas, a criança é definida como todo o ser humano com menos de 18 anos, exceto se a lei nacional confere a maioridade mais cedo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera criança a pessoa até 12 anos incompletos.

 

Portaria 1.130de 05 de agosto de 2015, que institui a  Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)  considera criança o indivíduo de 0 a 9 anos, destacando-se a Primeira infância, de 0 a 5 anos.

Ainda que a proteção à infância esteja assegurada em leis e normativas, a integridade física, intelectual e moral das crianças continua suscetível a riscos, como a exploração do trabalho infantil, a vulnerabilidade social, e  o apelo midiático pelo consumo. 

Para Neil Postman (1999), estamos assistindo ao desaparecimento da infância devido ao surgimento do sistema de mídia, que fornece informações acerca dos "segredos do mundo adulto", desfazendo a separação estabelecida entre este e o mundo infantil. Essa perspectiva é complementada por Shirley Steinberg e Joe Kincheloe (2004), que alertam que a chamada “cultura infantil” é construída por corporações que, por seus produtos, são capazes de penetrar, constantemente, na vida privada das crianças, desestabilizando-lhes a identidade. Na visão dos pesquisadores, as noções mais tradicionais da infância como um tempo de inocência e de dependência do adulto foram minadas pelo acesso das crianças à cultura popular durante o século XX.

Está, portanto, decretado o fim da infância? Talvez não. 
 
Autores como Dora Marín-Díaz (2010) apresentam um contraponto às ideias apocalípticas em relação à infância. A pesquisadora reafirma que o uso dos meios de comunicação e de informação modernos não só mantém as fronteiras entre os mundos adulto e infantil, como ainda acabam por produzir e ampliar as fronteiras entre as gerações. Desse modo, as crianças, em vez de serem dominados pelas mídias, utilizam-nas em seu próprio benefício, tornando-as instrumentos de força e de diferenciação do adulto pela naturalidade com que o fazem. 
 
Deve-se dizer que ideias como esta são menos recorrentes, mas ajudam a sustentar o debate acerca da infância que é produzida e reproduzida nos produtos e manifestações culturais de nossa sociedade. A conclusão a que se chega diante da narrativa da história da infância – vale lembrar, não é única, há múltiplas infâncias e portanto, múltiplas histórias – é que há muito para se refletir e construir para que a infância alcance um tempo realmente feliz, no sentido de que todas as crianças possam vivenciá-la. Como é uma construção social que se modifica ao longo do tempo, não tem um fim, está em constante transformação. Porém, o que se deseja é que ao menos alcance um estágio em que se consiga ter a certeza de que a concepção de infância finalmente resultasse em benefícios inquestionáveis a todas as crianças.
 
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